Elmar Juan Passos Varjão Bomfim desenvolveu ao longo de sua trajetória profissional uma visão apurada sobre os fatores que determinam o sucesso ou o fracasso de projetos de energia de grande porte. No Brasil, onde a matriz elétrica está em plena expansão e novos empreendimentos surgem a cada ciclo de leilão, a capacidade de identificar, quantificar e mitigar riscos desde as fases iniciais de desenvolvimento é o que diferencia projetos que chegam à operação comercial daqueles que se perdem em litígios, atrasos e revisões financeiras.
A percepção de que projetos de energia são intrinsecamente seguros pelo fato de contarem com receita garantida por contratos de longo prazo é um dos equívocos mais perigosos do mercado. A receita garantida protege contra o risco de mercado, mas não cobre riscos de construção, riscos regulatórios, riscos de interface com sistemas de transmissão e riscos socioambientais, que são exatamente os que mais frequentemente comprometem os cronogramas.
Riscos de construção: onde a maioria dos projetos perde eficiência
Os gargalos na execução de obras complexas de infraestrutura derivam de falhas técnicas cometidas nas etapas iniciais de projeto. A identificação dessa relação de causa e efeito baliza as análises de Elmar Juan Passos Varjão Bomfim sobre a previsibilidade de grandes empreendimentos. Elementos como especificações imprecisas, cronogramas incompatíveis e contratos frágeis com fornecedores estratégicos constituem os principais vetores de risco para o cumprimento das metas físicas.
Parques solares e eólicos parecem simples na descrição técnica, mas envolvem cadeias de fornecimento globais, logística complexa para áreas remotas e sequenciamento de atividades que deixa pouca margem para improviso. Um atraso na entrega de transformadores importados, por exemplo, pode paralisar toda a etapa de energização e deslocar a data de início de operação comercial em meses. Esses atrasos têm impacto financeiro direto, especialmente quando o projeto está estruturado com dívida de projeto e os covenants do financiamento estão atrelados a marcos físicos específicos.
Como o licenciamento e a regulação impactam a execução dos projetos?
O ambiente regulatório exerce um impacto estrutural direto sobre a viabilidade de projetos de energia no Brasil. A tramitação de licenças ambientais, outorgas de recursos hídricos, autorizações de acesso à rede elétrica e registros na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) exige gerenciamento simultâneo e rigoroso. Na análise de Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, a precisão na condução desses processos paralelos é o fator crítico que impede o comprometimento do cronograma geral das obras.

O risco regulatório se manifesta de formas variadas: uma condicionante ambiental não atendida pode paralisar obras já iniciadas; uma revisão nas regras de conexão ao sistema pode tornar a solução técnica adotada inadequada; mudanças nas políticas de incentivo fiscal podem alterar a equação financeira de um projeto inteiro. Desenvolvedores que tratam o relacionamento com reguladores como uma formalidade burocrática tendem a descobrir, no pior momento possível, que essa visão foi um erro de avaliação custoso.
Estruturação financeira e alocação de riscos: a base que sustenta tudo
Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, como CEO da André Guimarães Engenharia e Infraestrutura, compreende que a estruturação financeira de um projeto de energia não é apenas uma questão de captação de recursos. É, fundamentalmente, um exercício de alocação de riscos entre os diferentes participantes: desenvolvedor, construtor, operador, financiadores e seguradoras.
Contratos EPC (Engineering, Procurement and Construction) bem estruturados transferem ao construtor os riscos de prazo e custo que estão sob seu controle, enquanto protegem o desenvolvedor de variações que escapam à capacidade de gestão de qualquer contratado. Mas essa transferência tem um preço: quanto mais risco é alocado ao construtor, maior o prêmio que ele embutirá na proposta. O equilíbrio entre proteger o projeto e manter a competitividade das propostas é uma das habilidades mais sofisticadas do desenvolvimento de projetos de energia, e raramente é ensinada em sala de aula.
Como o risco pode se transformar em aprendizado e o aprendizado em vantagem?
O mercado de energia e infraestrutura valoriza de forma crescente profissionais com capacidade analítica para identificar padrões de risco ausentes nos modelos financeiros tradicionais. A trajetória de Elmar Juan Passos Varjão Bomfim reflete esse perfil técnico, moldado pelo gerenciamento de dinâmicas complexas em canteiros de obras e salas de negociação. O histórico de execução de grandes projetos consolida uma base de conhecimento prático essencial para a mitigação de passivos operacionais e contratuais.
O setor de energia renovável no Brasil está crescendo em velocidade e complexidade simultaneamente. Projetos maiores, tecnologias mais diversas, estruturas financeiras mais sofisticadas e exigências socioambientais mais rigorosas estão redefinindo o perfil de competência exigido de quem lidera esses empreendimentos. Nesse ambiente, a capacidade de gerir riscos com inteligência e antecipação não é apenas um diferencial. É a condição básica para entregar resultados.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez