Nos últimos dez anos, Alagoas experimentou uma revolução em sua política pública de ciência, tecnologia e inovação (CT&I), com avanços notáveis que permitiram ao estado se destacar no cenário nacional. A política pública de CT&I em Alagoas, embora tenha enfrentado um cenário econômico desafiador, mostrou resultados surpreendentes. Através de ações estratégicas e investimentos significativos, o governo estadual conseguiu impulsionar o desenvolvimento científico e tecnológico, evidenciado no relatório do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) que apontou uma impressionante evolução no Índice Brasil de Inovação e Desenvolvimento (IBID). O estado passou de 27ª para 21ª posição no ranking nacional, marcando um dos maiores saltos entre os estados brasileiros.
O ponto de inflexão para esse crescimento ocorreu durante a gestão do governador Renan Filho, que priorizou investimentos no setor de ciência e tecnologia desde o início de seu mandato. Apesar da crise fiscal que afetava a ciência no Brasil, Alagoas trilhou um caminho diferente, focando em estratégias locais de inovação e conhecimento. Em 2021, o Centro de Inovação do Jaraguá foi inaugurado com um investimento de 18 milhões de reais, uma das maiores iniciativas da última década em CT&I no estado. A construção deste centro não apenas gerou um espaço dedicado à inovação, mas também simbolizou a visão de futuro do governo estadual, alinhando Alagoas com os principais centros de pesquisa e desenvolvimento do país.
Em 2023, sob a gestão do governador Paulo Dantas, a política de CT&I continuou a ser uma prioridade. O lançamento do programa +Ciência +Futuro e o compromisso com investimentos de 200 milhões de reais até o final de seu mandato destacaram o contínuo apoio do governo estadual ao setor. Esses investimentos são essenciais para garantir que as políticas de inovação não apenas sejam mantidas, mas também se expandam para incluir novos polos tecnológicos em todo o estado. As ações governamentais, como a expansão do Centro de Inovação do Jaraguá, têm impulsionado o crescimento de startups e pesquisas inovadoras, especialmente nos polos de Arapiraca e Batalha, que focam no desenvolvimento de tecnologias para a agropecuária.
Um dos fatores mais significativos para o sucesso da política pública de CT&I em Alagoas foi a atuação da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e da Fundação de Amparo à Pesquisa de Alagoas (Fapeal). Entre 2015 e 2024, a Fapeal lançou 138 editais públicos de fomento, com um investimento superior a 120 milhões de reais. Esse apoio foi crucial para compensar a queda no financiamento federal e garantir a continuidade das atividades de pesquisa nas instituições de ciência e tecnologia do estado. Além disso, Alagoas também se destacou na oferta de bolsas de mestrado e doutorado, alcançando a segunda posição nacional no ranking de competitividade entre os estados, o que demonstrou a capacidade do estado de formar uma massa crítica qualificada em várias áreas do conhecimento.
O aumento no número de pesquisadores em Alagoas também reflete os resultados das políticas estaduais de CT&I. Entre 2016 e 2023, o número de mestres e doutores aumentou quase 300%, passando de 2.746 para mais de 10.500 pesquisadores, com destaque para o crescimento do número de doutores, que subiu 356%. Essa elevação na formação de pesquisadores e acadêmicos de alto nível foi fundamental para a criação de novos grupos de pesquisa, que se expandiram de 517 para 1.595 entre 2016 e 2023. Esse crescimento não só fortaleceu as instituições de ensino e pesquisa no estado, como também contribuiu diretamente para o avanço da inovação em diversos setores da economia alagoana.
Além dos avanços na educação superior e na formação de pesquisadores, a política de CT&I de Alagoas também se concentrou na inclusão de jovens estudantes e no fortalecimento da cultura científica. O Programa de Iniciação Científica Júnior (PIBICJr.), lançado em 2023 pela Fapeal, tem sido uma das iniciativas mais bem-sucedidas, oferecendo bolsas de pesquisa para estudantes do ensino médio em mais de 200 projetos de diversas áreas. A participação dos estudantes em eventos acadêmicos e científicos, além das conquistas em olimpíadas do conhecimento, é um reflexo do impacto positivo da ciência na educação básica do estado. O PIBICJr. também tem contribuído para o desenvolvimento de novos produtos e processos, com cinco patentes em processo de registro, o que demonstra a conexão entre pesquisa e inovação no estado.
Outro marco importante para o desenvolvimento científico em Alagoas foi a instalação da nova unidade da Embrapa Territórios e Alimentos. A chegada dessa instituição ao estado representa um avanço significativo para a pesquisa aplicada à agricultura familiar e outras áreas do agronegócio. A Embrapa, com seus mais de 40 pesquisadores, tem se dedicado ao desenvolvimento de soluções inovadoras que impactam positivamente a economia local. Essa nova unidade, aliada aos investimentos em ciência e tecnologia, reforça o compromisso do governo estadual em fortalecer o setor agrícola e garantir que as inovações no campo beneficiem diretamente a população.
A política pública de CT&I em Alagoas também foi fundamental para a modernização das infraestruturas de pesquisa no estado. A ampliação das condições para a realização de pesquisas científicas em áreas como biotecnologia, saúde, energia renovável e agronegócio tem sido um dos principais resultados dessa política. Investimentos em laboratórios, centros de pesquisa e parcerias com outras instituições de ensino e pesquisa contribuíram para tornar Alagoas um polo de inovação no Brasil. A integração entre o setor público e privado, além do fomento às startups, tem gerado um ambiente propício para o surgimento de novas tecnologias e soluções.
Em conclusão, os resultados obtidos ao longo de uma década de política pública de ciência, tecnologia e inovação em Alagoas são um exemplo claro de que, mesmo em tempos de crise, investimentos estratégicos podem gerar grandes frutos para a sociedade. Alagoas se tornou uma referência nacional em inovação, com uma política de CT&I bem estruturada, que tem levado o estado a alcançar novos patamares de desenvolvimento. O compromisso com a formação de recursos humanos qualificados, a ampliação de centros de pesquisa e a criação de ambientes favoráveis à inovação têm sido essenciais para o sucesso dessa trajetória. A experiência de Alagoas pode servir de modelo para outros estados e regiões do Brasil, mostrando que o investimento em ciência e tecnologia é, sem dúvida, um dos caminhos mais eficientes para o desenvolvimento sustentável e a melhoria da qualidade de vida da população.
Autor: Boris Kolesnikov
Fonte: Assessoria de Comunicação da Saftec Digital