Ambientes impecavelmente coordenados, com poucos objetos aparentes, móveis discretos e paletas neutras, dominaram muitas referências de decoração nos últimos anos. Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, observa um cenário em que cresce o interesse por interiores capazes de revelar mais sobre quem realmente vive neles. A mudança não representa uma rejeição à organização ou à elegância, mas questiona casas tão padronizadas que poderiam pertencer a qualquer pessoa, aproximando a decoração novamente de memórias, preferências, hábitos e histórias particulares.
Leia mais a seguir!
Por que algumas casas começaram a parecer hotéis?
Hotéis costumam ser projetados para receber pessoas diferentes e, por isso, precisam funcionar sem depender excessivamente dos gostos de um único hóspede. Quando essa lógica é transportada integralmente para uma residência, aparecem ambientes visualmente agradáveis, porém pouco específicos. Tons neutros, poucos objetos pessoais e combinações cuidadosamente controladas ajudam a criar essa sensação.
As redes sociais também contribuíram para disseminar determinadas fórmulas. Uma composição que funciona bem visualmente pode ser reproduzida inúmeras vezes, fazendo com que sofás, luminárias, mesas, revestimentos e paletas semelhantes apareçam em casas completamente diferentes. O resultado não é necessariamente ruim, mas pode reduzir justamente aquilo que distingue uma residência de outra.
Para Daugliesi Giacomasi Souza, essa discussão permite olhar além da aparência isolada de cada elemento. Uma casa precisa responder à rotina de quem a ocupa. Livros utilizados diariamente, objetos trazidos de viagens, coleções, fotografias ou móveis herdados podem parecer menos uniformes do que uma composição pronta, mas carregam informações que tornam aquele espaço particular.
A decoração perfeita perdeu espaço?
A ideia de perfeição visual começa a dividir atenção com uma estética mais vivida. Isso significa aceitar combinações que não precisam pertencer exatamente à mesma coleção, época ou estilo. Um móvel antigo pode conviver com uma peça contemporânea, enquanto objetos artesanais podem aparecer ao lado de elementos mais minimalistas sem que o resultado seja necessariamente desorganizado.

Daugliesi Giacomasi Souza destaca que essa transformação também ajuda a explicar o interesse por peças vintage, trabalhos artesanais, estampas, cores e materiais que apresentam variações naturais. Pequenas irregularidades deixam de ser automaticamente entendidas como defeitos. Em alguns casos, elas oferecem justamente o contraste necessário para evitar que o espaço pareça excessivamente planejado ou produzido como cenário.
Como colocar personalidade sem criar excesso?
O primeiro passo pode ser abandonar a ideia de que todos os ambientes precisam seguir rigorosamente uma única estética. Repetir alguns materiais ou tonalidades ajuda a estabelecer continuidade, mas isso não impede que cada cômodo tenha características próprias. O quarto pode ser mais acolhedor, enquanto a sala recebe objetos, livros e cores relacionados à vida social dos moradores. Essa liberdade permite construir uma unidade visual sem fazer com que todos os espaços pareçam variações de uma mesma composição.
Outra possibilidade é trabalhar com elementos que se desenvolvem ao longo do tempo. Uma estante não precisa nascer completamente preenchida, assim como uma parede não precisa receber todos os quadros de uma única vez. Permitir que objetos sejam incorporados conforme experiências acontecem faz com que a decoração registre diferentes momentos da vida. Viagens, mudanças de interesse, presentes e peças encontradas ao acaso podem acrescentar novas camadas ao ambiente sem exigir uma reformulação completa.
Na perspectiva de Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, essa construção gradual também evita escolhas feitas somente para completar visualmente um espaço. Em vez de comprar algo porque determinada superfície parece vazia, é possível deixar que peças realmente significativas encontrem lugar conforme passam a fazer parte da rotina. Com isso, a decoração deixa de buscar uma aparência definitivamente pronta e pode continuar evoluindo junto com os moradores.
Para acompanhar mais conteúdos sobre decoração e interiores da fundadora da DGdecor, o perfil @dgdecor.construir no Instagram reúne referências e ideias relacionadas ao tema.