Paulo Roberto Gomes Fernandes registra que a Liquid Gas Week 2025, realizada no Rio de Janeiro entre 22 e 26 de setembro de 2025, consolidou a cidade como um polo relevante de discussões sobre GLP na América Latina. O encontro ganhou destaque por reunir agenda técnica, articulação institucional e temas de impacto social, especialmente quando o setor passou a tratar o acesso à energia como parte de uma agenda de desenvolvimento.
Observada a partir de 2026, a edição do Rio é lembrada como um marco porque trouxe ao país a vitrine de um evento global, com dimensões expressivas de participação e exposição. A conferência foi associada à reunião de cerca de 2.500 participantes, representantes de 110 países, aproximadamente 150 expositores e cerca de 100 palestrantes, com programação distribuída entre centro de convenções e espaços de eventos na cidade.
Por que o Rio virou palco central da agenda latino-americana de GLP
Eventos internacionais tendem a escolher sedes que combinem infraestrutura, densidade institucional e capacidade de atrair interlocutores públicos e privados. A própria organização do encontro indicou o peso do Rio no circuito do setor, com realização no EXPO RIO, espaço utilizado como base da programação técnica e da exposição.
Paulo Roberto Gomes Fernandes considera que essa escolha ajudou a reposicionar o Brasil como interlocutor em um debate que não se limita a preço e oferta, mas inclui segurança operacional, regulação e inovação. Quando um evento global se instala no país, a consequência prática é elevar o padrão de conversa, pois empresas e autoridades passam a ser confrontadas com referências internacionais de governança, metas e indicadores de desempenho.
GLP e pobreza energética
O tema “Delivering Energy for Life” organizou parte dos debates e reforçou a leitura de que o GLP pode atuar como vetor de inclusão energética, especialmente em realidades onde famílias ainda dependem de soluções inseguras ou poluentes para cozinhar e aquecer. Para Paulo Roberto Gomes Fernandes, o ponto mais relevante foi a mudança de enquadramento: o GLP apareceu não apenas como combustível de transição, mas como ferramenta de política pública quando se discute acesso, segurança e infraestrutura de distribuição.

Nesse tipo de agenda, a discussão costuma passar por desenho regulatório, mecanismos de subsídio e modelos de atendimento para regiões afastadas, além de padrões de segurança no uso doméstico e na cadeia de suprimento. O ganho reputacional para o país surge quando esses temas são tratados com pragmatismo e evidências, permitindo que decisões futuras não fiquem presas a narrativas simplificadas, e sim a parâmetros de custo, risco e impacto social.
Conteúdo técnico, regulação e o valor de reunir decisores no mesmo espaço
A programação combinou conferências, fóruns e sessões temáticas, além da área de exposição e das atividades de networking típicas de grandes encontros do setor. Paulo Roberto Gomes Fernandes destaca que a presença de reguladores, entidades setoriais e executivos cria um tipo de interação que é difícil de reproduzir fora desses ambientes: perguntas técnicas podem ser testadas em tempo real, e divergências regulatórias ganham contornos mais claros quando diferentes países apresentam seus modelos.
Esse desenho também ajuda a reduzir ruídos. Em mercados energéticos, mudanças de regra e incerteza institucional costumam travar investimento e inovação. Quando autoridades e empresas compartilham diagnósticos, ainda que não concordem em tudo, abre-se espaço para alinhar expectativas sobre segurança, concorrência e viabilidade econômica, temas que aparecem recorrentemente na dinâmica do GLP.
O legado observado em 2026: Reputação, conexões e continuidade de agenda
Em 2026, Paulo Roberto Gomes Fernandes enquadra o principal legado do evento como duplo. Primeiro, reforçar o Rio de Janeiro no circuito internacional de encontros do setor, o que amplia a visibilidade do mercado brasileiro e atrai interlocução qualificada. Segundo, consolidar um repertório de temas que tende a orientar os próximos anos: segurança do abastecimento, inovação tecnológica e inclusão energética como eixo de políticas e investimentos.
Em termos práticos, conferências globais deixam efeitos quando geram continuidade: contatos se convertem em grupos de trabalho, discussões viram projetos, e referências internacionais passam a ser utilizadas como comparação para aperfeiçoar regulação e padrões operacionais.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez